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A história de José (parte 4 de 7): Beleza e um teste
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Descrição: José enfrenta um grande teste de sedução e busca refúgio em Deus.
Por Aisha Stacey (© 2015 IslamReligion.com)
Publicado em 31 Aug 2015 - Última modificação em 31 Aug 2015
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Categoria: Artigos > Crenças do Islã > Histórias dos Profetas

Embora traído e vendido como escravo, José, o filho do profeta Jacó, se estabeleceu em um das grandes casas do Egito.  Seu mestre, Al Aziz, o ministro-chefe do Egito prometeu tratar José com bondade e José, que era grato pela segurança relativa, respondeu que seria leal ao seu novo mestre.  Agradeceu a Deus por retificar sua situação e colocá-lo em um lugar livre de maus tratos e abusos.  José foi da posição de filho amado para as profundezas do poço, das correntes de ferro para uma posição de facilidade.  A vida de José virou do avesso, mas a casa de Al Aziz foi o lugar em que chegou à idade adulta.

Os sábios do Islã estimaram que José tivesse por volta de 14 anos quando foi traído por seus irmãos.  O Imam Ibn Katheer, um dos estudiosos do Alcorão mais respeitados, explicou em seu trabalho "As Histórias dos Profetas", que José era mais provavelmente o atendente pessoal da esposa de Al Aziz.  Ibn Katheer descreveu José como obediente, educado e excessivamente belo.  O profeta Muhammad também descreveu José e o chamou "a personificação de metade de toda a beleza" [1].  Enquanto José crescia Deus lhe deu sabedoria e bom julgamento e o ministro-chefe Al Aziz reconheceu essas qualidades em seu servo leal e, portanto, o colocou como encarregado das questões domésticas.  Todos que o conheciam, incluindo a esposa de Al Aziz, reconheciam a beleza, honestidade e nobreza de José.  Ela observou José crescer, se tornar um homem bonito e ficou cada vez mais atraída por ele a cada dia que passava.

O teste

"A mulher, em cuja casa se alojara, tentou seduzi-lo; fechou as portas e lhe disse: Agora vem!" (Alcorão 12:23)

A bela esposa de Al Aziz fechou as portas e tentou seduzir o escravo José, mas ele resistiu aos avanços dela e buscou refúgio com Deus.  Buscou ajuda de Deus.  José lhe disse que não trairia o marido dela.  José disse: "Ele tem sido bom para mim e me tratou com respeito." José sabia que aqueles que cometem maus atos nunca terão sucesso.  A esposa de Al Aziz tinha um desejo e tentou agir de acordo com ele. José, entretanto, resistiu à tentação e tentou escapar.  O profeta Muhammad nos diz que se tivermos a intenção de cometer um ato errado e de fato o executarmos, Deus o registrará contra nós como uma má ação.  Entretanto, se pensarmos em cometer uma má ação e não o fizermos, Deus a registrará como uma boa ação.[2]

José tirou de sua mente quaisquer pensamentos de dormir com a esposa de seu mestre, buscou refúgio com Deus e tentou sair da situação complicada.  Talvez José estivesse resistindo aos avanços dela por muitos anos.  Uma mulher rica e bonita dos mais altos escalões da sociedade egípcia não iria se rebaixar a esse comportamento imediatamente.  A beleza, status e riqueza dela significavam que a maioria dos homens ou meninos sucumbiria facilmente aos seus desejos.  José, entretanto, não era um homem comum e quando se voltou imediatamente para Deus em busca de ajuda, Deus o resgatou.

"Ela o desejou, e ele a teria desejado, se não se apercebesse da evidência do seu Senhor. Assim procedemos, para afastá-lo da traição e da obscenidade, porque era um dos Nossos sinceros servos." (Alcorão 12:24)

José é um dos líderes dos que serão protegidos por Deus no Dia do Juízo.  O profeta Muhammad explicou que o calor do Dia do Juízo seria terrível e as pessoas estarão agrupadas e com medo enquanto esperam para ser julgadas por Deus.  Entretanto, haverá certas categorias de pessoas protegidas desse calor brutal.  Uma delas é um homem que resistiu às tentações de uma mulher bonita e desejável ao buscar refúgio em Deus.[3]

A recusa de José só aumentou a paixão dela.  Ele tentou fugir e correram para a porta.  A esposa de Al Aziz alcançou a camisa de José e a rasgou nas costas.  Naquele momento a porta se abriu e o marido entrou.  Imediatamente, sem um segundo de hesitação, a esposa de Al Aziz tentou reverter a situação.  Gritou para o marido: "Qual é a punição para quem deseja sua esposa?" Era uma mentira clara e ainda assim ela a pronunciou facilmente e sugeriu que José fosse colocado na prisão.  José tentou se defender e disse: "Não, foi ela quem tentou me seduzir." (Alcorão 12:25 – 26) Um dos parentes apareceu e ofereceu uma forma de resolver o dilema.  Disse:

"Se a túnica dele estiver rasgada na frente, ela é quem diz a verdade e ele é dos mentirosos. E se a túnica estiver rasgada por detrás, ela é que mente e ele é dos verazes." (Alcorão 12:27 – 28)

Se a camisa estivesse rasgada por trás, e estava, significava que ele estava tentando escapar e ela correu atrás dele, rasgando a camisa.  A prova era inconfundível.  O ministro-chefe, embora claramente zangado, estava mais preocupado em encobrir esse assunto.  Não queria que seu bom nome e posição fossem abalados por um escândalo.  Pediu a José para ficar em silêncio sobre a situação e disse a esposa para pedir perdão a Deus.  Isso devia dar um fim à questão, mas como é comum em sociedades mais ricas, as pessoas têm muito tempo disponível.  Muitas horas são desperdiçadas com refeições e fofocas sobre assuntos dos amigos, vizinhos e parentes.

As mulheres

As mulheres da cidade começaram a falar sobre a esposa de Al Aziz e sua paixão pelo escravo José.  As notícias se espalharam e as mulheres se perguntavam como ela podia sentir desejo por um escravo e colocar sua reputação em risco.  A esposa de Al Aziz pensou que devia dar uma lição a essas mulheres e mostrar a eles o quanto José era bonito e desejável.  Ela as convidou para um almoço, colocou uma bela mesa diante delas e lhes deu facas para cortar a comida.  O ambiente estava provavelmente cheio de tensão e olhares silenciosos, já que as mulheres esperavam ver esse escravo, enquanto que ao mesmo tempo se consideravam melhores que a esposa de Al Aziz.  As mulheres começaram a comer e naquele momento José entrou no ambiente.  Levantaram o olhar, viram a beleza dele e esqueceram que tinham facas em suas mãos.  As mulheres ficaram tão seduzidas por sua aparência que cortaram a própria carne.  Descreveram José como um anjo nobre.  A esposa de Al Aziz, confiante e arrogante, disse às convidadas:

"Eis aquele por causa do qual me censuráveis e eis que tentei seduzi-lo e ele resistiu. Porém, se não fizer tudo quanto lhe ordenei, juro que será encarcerado e será um dos vilipendiados." (Alcorão 12:32)

O que aconteceria a José?  Mais uma vez, com total humildade, ele se voltou para Deus dizendo que preferia a prisão a sucumbir aos desejos das mulheres.  Assim, seu Senhor atendeu sua invocação.



Notas de rodapé:

[1] Saheeh Muslim

[2] Saheeh Al-Bukhari.

Hierarquia do Artigo:
Artigos Histórias dos Profetas A história de José (parte 4 de 7): Beleza e um teste


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